Finalizei mais 2 livros infantis. O primeiro foi A FORMIGUINHA SKATISTA, o segundo A FORMIGUINHA GRAFITEIRA e o terceiro A FORMIGUINHA INVENTORA. São livros de fácil leitura que provocam a interpretação, reflexão e participação da criança, ilustrando todos eles. Nenhum tem ilustração. Elas são criações que cabem aos pequenos leitores, conforme o sensível em cada um e de acordo com a sua visão de vida que está construindo.Como o adulto que lê um livro cujas imagens nascem do mistério das palavras e parágrafos que provocam a sua imaginação, nas crianças pensei em provocar a imaginação a ponto de registrá-las através do desenho. Nesse sentido cada livro será único ao final de cada leitura, porque as ilustrações serão frutos da imaginação dos pequenos leitores, sem referências já existentes, para que sejam livres nas suas buscas criativas e nas analogias com o já sabido, para que assim, nesse sentido, a leitura seja algo a ser estimulado desde cedo. Para isso foi necessário usar várias ferramentas, como a experiência de anos em sala de aula com crianças dessa faixa etária, a formação como pedagogo na Universidade Federal, a formação como professor de currículo por atividades, formação de professor multidisciplinar, como pós-graduado em arte educação, os livros já publicados e os vários prêmios literários que enfatizavam um caminho literário a ser percorrido. Escrever para criança não é fácil, não é ficar contando histórias da carochinha em tempos de internet. Elas sabem muito, constroem muito mais rápido pela carga de informações que lhes chegam de forma assombrosa através dos diversos meios de comunicação. Mas, antes de tudo, nada disso poderia ter um mínimo de coerência em sua execução, se não nos colocássemos no lugar da criança no momento de escrever para elas. Se não voltássemos à nossa própria infância para compreender a infância com a qual queremos dialogar. Por isso o skate, o grafite e a invenção são os temas que perpassam os três livros, coisas atuais para os pequenos de hoje. Com essas ferramentas se pode tentar prendê-la ao texto de forma espontânea, criativa e divertida, desenvolvendo talentos, incentivando a pesquisa e a participação. O desejo de comunicar o aprendido, a identidade com o que é relatado. Na Formiguinha Skatista a criança vai desenhando toda a história página a página, finalizando com um pequeno texto que ela vai criar contando como é que, sob seu ponto de vista, termina a história. No Segundo, na Grafiteira, também. A criança vai desenhando página a página e, ao final, é convidada a apresentar uma solução gráfica para a formiguinha, buscando auxiliá-la na comunicação através da arte de rua, o grafite. E, no terceiro, na Inventora, a criança vai novamente interpretar, através de desenhos, registrando os signos que lhes chegam nas imagens inconscientes. A trilogia da formiguinha se encerra com a criança dando rumo aos intentos do inseto, criando para a formiguinha as ferramentas que ela necessitará para a sua luta ambiental. (Artur Madruga)
MAGISTÉRIO - ISABEL DE ESPANHA/ PLURIDISCIPLINARIDADE - FAETA/ PEDAGOGIA - UFRGS/ PÓS EM ARTE EDUCAÇÃO-UNIASSELVI
segunda-feira, 24 de março de 2014
sábado, 26 de outubro de 2013
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
ARTUR MADRUGA, PATRONO DA FEIRA DO LIVRO DA E.M.E.F.DUQUE DE CAXIAS, EM ALVORADA-RS, OUTUBRO DE 2013.
Conversando com os alunos da escola sobre o processo criativo. A escola tem alunos da pré-escola ao quinto ano do ensino fundamental.
Respondendo às questões feitas pelas crianças.
Reunião com os professores da escola, uma semana antes da feira, quando apresentei o meu primeiro livro de história infantil A FORMIGUINHA SKATISTA, escrita especialmente para que os professores pudessem trabalhar com as crianças o universo literário onde elas tivessem a oportunidade de interagir com a que estava sendo relatado, que usassem a imaginação criando através de desenhos os personagens do texto conforme lhes aprouvesse e a escala de valores de cada um apontasse a imagem que fosse mais adequada e se posicionasse quanto ao final da história.
Autografando meus livros Tiremos a Sorte(ficções) e Dyonélio Machado( primeira biografia desse autor que escrevi para a coleção Esses Gaúchos-RBS-Tchê!, através de entrevistas que fiz com a viúva e a filha de Dyonélio), ambos lançados na feira do livro de Porto Alegre, em 1986. Tiremos a Sorte ganhou o prêmio Revelação Literária Apesul/ Caldas Júnior/IEL, em 1978, Menção Honrosa do Prêmio Nacional Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores, Órgão da Academia de Letras, em 1981 e Menção Honrosa do Prêmio Guilhermino César da Universidade de Ijuí, coordenado por Deonísio da Silva, em 1980.
Com a representante da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do RS, amiga Ika Alberton.
Com a diretora da Escola, Profa Carmem Suzane, o aluno Leonardo e uma pessoa maravilhosa que conheci no dia da feira e que trabalha com contação de histórias na escola. Não lembro o nome, entretanto fiquei impressionado com o talento e criatividade da mesma, com a qual me identifiquei de imediato.
Olhando a exposição de trabalhos dos alunos em relação ao meu livro infantil A Formiguinha Skatista. Aqui os trabalhos eram das crianças da pré-escola, alunos da professora Lilian Lussana.
Professora Lilian me mostrando o trabalho dos alunos.
Alunos apresentando suas questões e contando o final que criaram para a história da formiguinha.
Autografando para professoras da Escola.
Com a amiga Mariú Delanhese, jornalista do A Semana que foi me prestigiar na Feira.
Com a professora Lilian Lussana.
Com a professoras da escola Duque, Lilian e Enaura - Lilian é Vice Diretora e Enaura, a bibliotecária, responsável pela organização da feira.
Alguns trabalhos dos alunos sobre a história da formiguinha.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Novo Prefácio de Tiremos a Sorte
UM LIVRO QUE SE RENOVA
A CADA DÉCADA
Paulo Bentancur
Publicado em meio
aos anos de 1980, Tiremos a Sorte marcou o conto no extremo sul do Brasil, num
momento de transição política vital par o país. Saía-se dos porões de uma
ditadura para o sol ainda incerto de uma democracia titubeante. Reaprendia-se a
falar claro, sem as estratégias fundamentais em tempos de ausência de
liberdade. Artur Madruga estreava na literatura com um volume de histórias
breves onde essa liberdade já surgia plena. Ganhando prêmios, recebendo
críticas favoráveis.
Primeiro,
pela estrutura dos contos, entre a crônica lírica e a confissão
psicologicamente conduzida até um limite no qual o narrador meio que se
dissolvia. A expressão não é forçada: dissolver-se como uma maneira de se
entregar o mais fundo à própria condição humana. Dar-se ao ser que há em si e
no outro como um jeito corajoso e nobre de perder-se para o encontro maior.
Espécie de dispensa de uma casaca, inútil agora que era possível achar a
essência.
Os
contos de Madruga não repetiam os truques da época ( o discurso engajado
embutido em algum disfarce episódico) e nem fugiam do enfrentamento com as
precariedades de suas personagens.
Há
um tom inevitável de réquiem em quase todas as tramas, e os protagonistas
constituem-se em sujeitos à deriva sem que se emita o velho pedido de socorro
dos desesperados. Caem, porém o abismo é uma forma de renovação e nessa queda
ocorre uma metamorfose que é do país lá fora e do autor internamente.
Uma
das maiores qualidades do livro é o poder de sugestão que ressuma de suas
páginas. Raras são as figuras não performáticas. Na maioria, os que vivem o
drama narrado agem como se fossem animais mitológicos, estátuas da arte
clássica, homens extraviados num tempo apocalíptico, almas carregadas por uma
paixão que mais aquece contra o frio iminente do que as inflama com um desejo
previsível.
Não
cabe em nenhuma síntese semelhante livro porque a renovação da contística nele
está contida. Artur Madruga foi além do que o gênero até ali oferecera aos
leitores. E superando barreias não só políticas, mas literárias, plantou um
discurso livre de qualquer discurso – um percurso que vai dar num mar talvez
agitado demais, num céu sem nuvens, em luzes que desenham o dia e a noite e
criam movimentos adicionais no rosto expressivo de seus personagens.
É
livro para ser filmado, para ser levado ao teatro, para ser lido, sobretudo.
Como conto, como crônica, como poema em prosa, como um salto sobre os muros já
derrubados de tempos sombrios e sobre os muros de qualquer proposição estética.
Vê-se um olhar agudo para a pintura, um ouvido atento para a música, um ritmo
que se alimenta da própria frase, palavra a palavra, para melhor alimentá-la.
Tiremos
a Sorte parece até mesmo um título ocasional. Algo que não pretende
mais que o gesto humilde de abrir o peito e eviscerar-se num ritual de
sacrifício para possivelmente merecer, se não o mundo, o amor de alguém. Mas
não há um jogo – não intencionalmente. Há uma decisão em cada história. A
decisão mais difícil: desenhar a própria face no que ela tem de mais secreto e,
por isso mesmo, mais convincente.
Quem
sabe essa é a razão de o livro ter permanecido com a mesma força literária de
mais de vinte anos atrás e, hoje, relido, mostrar-se em meio ao que se publica
por aí, uma surpresa tão nova quanto foi na década de 1980.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
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